Rio desgovernado: incertezas no Executivo escancaram descaso com servidores

FOSPERJ e Movimento Recomposição Salarial, Já!

O Rio de Janeiro vive hoje um cenário de desorganização administrativa, instabilidade política e profundo desrespeito aos seus servidores públicos. Diante desse contexto, o Fórum Permanente dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (FOSPERJ) e o Movimento Recomposição Salarial, Já! vêm a público manifestar seu repúdio à condução do governo de Cláudio Castro e reafirmar a continuidade da luta pela recomposição salarial.

Ao longo de toda a gestão, acumulam-se episódios de descaso com o funcionalismo: o não cumprimento da Lei nº 9.436/2021, que garantiu a recomposição das perdas inflacionárias, o atraso no pagamento de parcelas já previstas, a ausência de diálogo institucional e a insistência em narrativas que não se sustentam diante dos próprios dados fiscais do Estado. Enquanto outros Poderes honraram integralmente seus compromissos, os servidores do Executivo seguem penalizados, com salários corroídos e dignidade comprometida.

O resultado é visível: serviços públicos precarizados, sobrecarga nas equipes, aumento do endividamento dos trabalhadores e um impacto direto na qualidade do atendimento à população. Saúde, educação, segurança e demais áreas essenciais operam sob pressão constante, sustentadas, diariamente, pelo esforço de servidores que seguem sem valorização.

A crise política em curso, com os desdobramentos das decisões do Supremo Tribunal Federal e a possibilidade de mudanças no comando do Executivo estadual, apenas reforça a instabilidade de um governo que já demonstrava fragilidade. A eventual condução do Estado por um mandato transitório, de caráter institucional, não altera a essência da nossa reivindicação: a recomposição salarial é um direito legal e não deve ser tratada como escolha política.

Independentemente de quem esteja à frente do governo, seja no atual cenário ou em um eventual mandato tampão, os servidores seguirão mobilizados. A cobrança é permanente, legítima e inegociável. Não aceitaremos que a instabilidade política sirva de justificativa para aprofundar ainda mais as perdas acumuladas ao longo de mais de uma década.

É preciso deixar claro: o problema não é falta de recursos, mas de prioridade. Enquanto bilhões circulam em decisões questionáveis, investimentos controversos e escândalos amplamente divulgados, o governo insiste em negar o cumprimento de uma obrigação legal com quem mantém o Estado funcionando.

O Rio de Janeiro não para porque seus servidores não param. Mas essa resistência tem limite.

Seguiremos nas ruas, nos espaços institucionais e na mobilização permanente até que o governo cumpra sua obrigação.
Recomposição Salarial, Já!