Nota de repúdio às declarações da deputada Lucinha (PSDB) sobre estudantes da UEZO

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A Associação de Docentes da UEZO (ADUEZO), seção do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), vem por meio desta nota repudiar veementemente as falas da deputada Lucinha (PSDB) na audiência pública do último dia 24 de novembro, que debateu a incorporação da UEZO pela UERJ.

Na semana em que a UEZO celebra o Dia da Consciência Negra com o tema “Racismo Estrutural e seus impactos no desenvolvimento social”, a deputada nos deu uma aula sobre o significado deste racismo estrutural entranhado em nossa sociedade. Em sua fala preconceituosa e elitista, a parlamentar demonstrou profundo desconhecimento e desprezo pelos estudantes da UEZO e pelos moradores da Zona Oeste.

De acordo com as falas da deputada Lucinha, se a UEZO se tornar um polo avançado da UERJ, o morador de Campo Grande, da Zona Oeste, não vai conseguir estudar na instituição, isso porque, de acordo com a deputada, o morador da Zona Oeste não é capaz de passar no vestibular para acesso às universidades públicas tais como UERJ, UFRJ, UFF, entre outras.

Com esta fala, a deputada demonstra profundo desrespeito por toda a população da Zona Oeste e total desconhecimento acerca da política brasileira de cotas, um conjunto de ações afirmativas que buscam democratizar o ingresso de estudantes de baixa renda, negros, pardos, indígenas à Instituições de Ensino Superior de todo o país.

Quando a deputada diz que o estudante da UEZO não passaria no vestibular se a UEZO fosse UERJ, demonstra primeiramente profundo desprezo pelos estudantes da UEZO, pelo seu esforço e dedicação que fizeram com que ingressassem na universidade. Esta fala mostra desconhecimento acerca da forma de ingresso de todos estes estudantes aos cursos superiores, através do SISU (Sistema de Seleção Unificada SISU), Ministério da Educação, por meio do qual TODOS OS ESTUDANTES DA UEZO, ASSIM COMO DE QUALQUER OUTRA INSTITUIÇÃO DE ENSINO PÚBLICA, ingressaram na instituição.

A deputada demonstra desconhecer profundamente a Lei de cotas, Lei 12.711 de 2012, que instituiu que TODAS as instituições de ensino superior, desde 2016, reservem metade das suas vagas a estudantes com renda familiar mensal por pessoa igual ou menor a 1,5 salário mínimo, sendo que dentro de cada categoria de renda há vagas reservadas para estudantes negros, pardos, indígenas e portadores de deficiência.

Todo o histórico do sistema de cotas tem por objetivo fazer com que falas como as da deputada Lucinha não sejam perpetuadas. Com muito esforço e graças à luta de muitos as Instituições de Ensino Superior vêm contribuindo para a democratização do ensino superior de qualidade e socialmente referenciado. Estamos lutando muito pela fusão entre UEZO e UERJ para que o filho do morador da Zona Oeste tenha ampliada a oferta do ensino superior de qualidade em uma instituição pública forte, consolidada e socialmente referenciada. Somente a oferta de ensino público é capaz de combater o racismo estrutural! Por nós! Por nossos alunos e principalmente porque somos todos ZONA OESTE diga sim a fusão UEZO e UERJ!